Quando os sintomas da próstata aumentada começam a interferir no sono, no jato urinário e na rotina, muitos homens imaginam que existem apenas duas alternativas: continuar usando medicamentos ou partir para uma cirurgia mais invasiva. Hoje, porém, há outras possibilidades que podem ser discutidas em pacientes selecionados.
O Rezum para próstata aumentada é uma dessas opções. Trata-se de uma terapia transuretral que utiliza energia térmica gerada por vapor de água para tratar áreas do tecido prostático relacionadas à obstrução urinária. Dessa forma, a proposta é reduzir progressivamente essa obstrução sem realizar a retirada cirúrgica convencional de todo o tecido responsável pelo aumento.
Entretanto, considero importante deixar algo claro desde o início: ser minimamente invasivo não significa ser indicado para todo homem com hiperplasia prostática benigna. O volume da próstata, sua anatomia, a intensidade dos sintomas, o funcionamento da bexiga, a presença de lobo mediano, retenção urinária, tratamentos prévios e as prioridades do paciente interferem na decisão.
O que é o Rezum?
O Rezum é uma tecnologia utilizada para tratar sintomas urinários associados à hiperplasia prostática benigna (HPB).
Durante o procedimento, o equipamento aplica vapor de água de maneira controlada em áreas selecionadas da próstata. Em seguida, quando o vapor entra em contato com o tecido, a energia térmica provoca dano celular localizado.
Nas semanas seguintes, o organismo passa por um processo de remodelação e redução daquele tecido tratado, o que pode diminuir a obstrução da uretra e melhorar os sintomas urinários. A EAU descreve essa técnica como terapia térmica por energia convectiva de vapor de água.
Portanto, o efeito não acontece porque o vapor simplesmente “abre” a uretra no mesmo momento.
Na prática, existe uma evolução progressiva após o tratamento.
Rezum é cirurgia?
As diretrizes costumam classificar o Rezum como um procedimento minimamente invasivo para tratamento da HPB.
O urologista realiza a técnica pela uretra, sem uma incisão externa semelhante às cirurgias abertas.
Isso, entretanto, não significa que seja um procedimento banal.
Existe instrumentação urológica, necessidade de planejamento anatômico, possibilidade de anestesia ou sedação conforme o caso, período de recuperação e possíveis eventos adversos.
O NICE considera a ablação transuretral por vapor de água uma técnica cuja evidência de segurança e eficácia permite seu uso quando existem estrutura adequada, consentimento, treinamento e acompanhamento.
Por isso, eu prefiro definir o Rezum pelo que ele realmente é: uma opção terapêutica urológica que pode ser menos invasiva do que determinadas cirurgias, mas que continua exigindo indicação médica criteriosa.
Para quem o Rezum pode ser considerado?
Os principais estudos clínicos disponíveis avaliaram principalmente homens com:
- sintomas urinários moderados a importantes;
- hiperplasia prostática benigna;
- próstata em uma faixa aproximada de 30 a 80 cm³;
- necessidade de tratamento após avaliação médica;
- anatomia compatível com a técnica.
O estudo pivotal utilizado pelo NICE incluiu homens com 50 anos ou mais, IPSS de pelo menos 13 e próstatas entre 30 e 80 cm³. O próprio NICE observa que a evidência fora desse grupo é mais limitada.
Ainda assim, isso não deve ser interpretado como uma regra matemática.
Existem estudos avaliando próstatas maiores, inclusive acima de 80 mL, mas a base de evidências é menos consolidada do que para a população clássica estudada inicialmente. A EAU também ressalta essa diferença.
Por isso, volume é importante, mas não é o único critério.
Ter uma próstata entre 30 e 80 cm³ significa que posso fazer Rezum?
Não automaticamente.
Duas próstatas com exatamente o mesmo volume podem apresentar anatomias diferentes e causar impactos muito distintos.
Por esse motivo, antes de considerar o procedimento, quero saber:
- quais sintomas o paciente apresenta;
- quanto esses sintomas incomodam;
- como está o fluxo urinário;
- se existe resíduo de urina na bexiga;
- como é a anatomia prostática;
- se há crescimento do lobo mediano;
- se houve retenção urinária;
- quais medicamentos já foram utilizados;
- se existem cálculos ou infecções recorrentes;
- como está a função da bexiga;
- quais são as prioridades do paciente.
Portanto, o ultrassom isoladamente não decide o tratamento.
Quais sintomas podem levar à discussão do Rezum?
O Rezum não trata simplesmente uma próstata “grande” vista em exame.
Na verdade, a discussão costuma fazer mais sentido quando a HPB está associada a sintomas do trato urinário inferior que justificam tratamento.
Entre eles podem estar:
- jato urinário enfraquecido;
- dificuldade para começar a urinar;
- interrupções do fluxo;
- necessidade de fazer força;
- sensação de esvaziamento incompleto;
- frequência urinária aumentada;
- urgência;
- necessidade frequente de urinar durante a noite.
Entretanto, sintomas semelhantes também podem ocorrer em outras condições.
Por isso, precisamos confirmar que existe uma relação plausível entre a obstrução prostática e as queixas antes de escolher qualquer técnica.
Rezum é indicado para sintomas leves?
Nem sempre.
Em diversas situações, o médico pode acompanhar homens com sintomas leves, pouco incômodos e sem complicações por meio de medidas comportamentais e observação.
A diretriz europeia recomenda acompanhamento para homens com sintomas leves ou moderados que causam pouco incômodo, além de orientações de estilo de vida antes ou junto ao tratamento.
O NICE concentra sua recomendação para Rezum especialmente em pacientes com sintomas moderados a importantes e próstata moderadamente aumentada.
Em outras palavras, não considero adequado indicar um procedimento apenas porque existe aumento prostático em um ultrassom.
Precisamos tratar o paciente, não apenas o tamanho da glândula.
Como saber se os sintomas realmente vêm da próstata?
Essa é uma pergunta fundamental.
Nem todo homem com jato fraco tem apenas obstrução prostática.
Por exemplo a dificuldade de esvaziamento também pode estar relacionada ao funcionamento da bexiga, estreitamento da uretra, alterações neurológicas, medicamentos e outras condições.
Da mesma forma, frequência e urgência podem estar associadas à bexiga hiperativa, infecção, diabetes e outros fatores.
Por isso, antes do tratamento, posso utilizar informações obtidas por:
- história clínica;
- questionários de sintomas, como o IPSS;
- exame físico;
- exame de urina;
- PSA quando indicado;
- avaliação do volume e da anatomia prostática;
- resíduo pós-miccional;
- urofluxometria;
- exames complementares em situações selecionadas.
Assim, o objetivo é determinar o que está provocando os sintomas e qual estrutura precisa ser tratada.
O que é o IPSS e por que ele pode ser utilizado?
IPSS é a sigla para International Prostate Symptom Score.
É um questionário utilizado para quantificar sintomas urinários.
Entre outros pontos, ele pergunta sobre questões como:
jato fraco;
esvaziamento incompleto;
intermitência;
urgência;
frequência;
esforço para iniciar a micção;
e noctúria.
O IPSS não substitui o diagnóstico, mas ajuda a transformar uma percepção subjetiva em uma medida que pode ser comparada ao longo do acompanhamento.
Inclusive, o estudo principal do Rezum utilizou esse instrumento para selecionar e acompanhar os participantes.
Como o Rezum age na próstata?
O equipamento transforma água estéril em vapor utilizando energia de radiofrequência.
Depois disso, o equipamento libera o vapor de maneira direcionada no tecido prostático.
Quando ocorre a mudança da fase gasosa para líquida dentro do tecido, esse processo transfere a energia térmica para as células.
Como consequência, esse processo provoca necrose celular na área tratada.
Posteriormente, o organismo reabsorve parte desse tecido e a região sofre remodelação.
É justamente essa evolução que permite uma redução progressiva da obstrução.
O que pode acontecer nos primeiros dias?
Algumas alterações urinárias transitórias podem ocorrer durante o período de recuperação.
Entre os eventos descritos nos estudos, estão:
- ardência ao urinar;
- aumento temporário da frequência;
- urgência;
- presença de sangue na urina;
- infecção urinária;
- retenção urinária.
A AUA descreve disúria, hematúria, frequência, urgência e infecção urinária entre os eventos transitórios relatados nos estudos de terapia por vapor.
Isso, porém, não significa que todos os pacientes apresentarão essas alterações.
Também não significa que qualquer sintoma depois do procedimento seja esperado e possa ser ignorado.
Por isso, a equipe deve orientar claramente quais sinais fazem parte da recuperação e quais exigem reavaliação.
Quais sintomas depois do procedimento exigem contato com o médico?
A orientação deve ser individualizada, mas merece atenção uma evolução com:
- febre;
- calafrios;
- incapacidade de urinar;
- sangramento importante ou persistente;
- dor intensa;
- piora acentuada e inesperada;
- sinais de infecção;
- qualquer alteração diferente daquela explicada previamente.
Além disso, o pós-procedimento também faz parte do tratamento.
Por esse motivo, não considero adequado realizar uma intervenção e deixar o paciente sem um plano claro de acompanhamento.
Rezum preserva a ejaculação?
A possibilidade de preservar a função sexual é uma das razões pelas quais alguns homens se interessam pela técnica.
Estudos e diretrizes relatam baixo impacto sobre função erétil e ejaculatória em comparação com determinados tratamentos cirúrgicos. A EAU registra preservação da função erétil e ejaculatória nos estudos disponíveis, enquanto a AUA já destacou a terapia por vapor como uma opção que pode ser discutida com pacientes elegíveis que priorizam preservação dessas funções.
Entretanto, isso precisa ser explicado com responsabilidade.
Em outras palavras, preservação não significa garantia.
Qualquer procedimento urológico pode ter eventos adversos, e o risco individual depende de diferentes fatores.
Por isso, nunca considero adequado prometer que a ejaculação será necessariamente mantida.
Quanto tempo demora para voltar à rotina?
A recuperação varia.
O paciente pode apresentar sintomas irritativos temporários e utilizar sonda por alguns dias.
Além disso, atividades físicas, sexualidade e retorno completo à rotina precisam ser orientados individualmente.
Por esse motivo, o tratamento não deveria ser escolhido apenas com base em quantos dias o paciente imagina ficar afastado.
Também precisamos considerar:
- eficácia esperada;
- risco;
- durabilidade;
- necessidade de retratamento;
- anatomia;
- impacto sexual.
Portanto, a recuperação é apenas um dos elementos da decisão.
Tratamento Rezum em Ribeirão Preto: quando buscar uma avaliação?
Quem pesquisa por Rezum em Ribeirão Preto normalmente já recebeu um diagnóstico de próstata aumentada ou está procurando uma alternativa aos medicamentos e às cirurgias tradicionais.
Nesse momento, considero importante não começar pela pergunta “posso fazer Rezum?”.
Primeiro precisamos confirmar:
- se os sintomas são realmente decorrentes da hiperplasia prostática benigna;
- qual é o volume da próstata;
- como é a anatomia;
- quanto de urina permanece na bexiga;
- qual é a intensidade da obstrução;
- e quais são as prioridades do paciente.
A partir disso, uma consulta com urologista em Ribeirão Preto permite comparar as opções sem assumir previamente que determinada técnica será escolhida.
Como funciona minha avaliação para próstata aumentada?
Minha consulta começa pelos sintomas.
Quero entender há quanto tempo o jato mudou, quantas vezes o paciente urina, se existe urgência, noctúria, esforço, retenção ou sensação de esvaziamento incompleto.
Além disso, também reviso:
- medicamentos utilizados;
- tratamentos anteriores;
- histórico de infecções;
- episódios de retenção;
- sangue na urina;
- função sexual;
- doenças associadas;
- exames já realizados.
Depois, avalio quais exames faltam para entender corretamente a obstrução.
Em determinados pacientes, posso utilizar urofluxometria, avaliação do resíduo pós-miccional, exames de imagem, PSA quando indicado e outros testes.
Quando existe indicação de procedimento, a anatomia da próstata se torna particularmente importante.
Somente depois comparo as opções.
Mitos e verdades sobre Rezum
“Rezum é indicado para qualquer próstata aumentada”
Mito.
Isso porque volume, anatomia, sintomas, função da bexiga e características clínicas precisam ser avaliados.
“Rezum utiliza vapor de água”
Verdade.
A técnica utiliza energia térmica transportada por vapor de água para tratar áreas selecionadas do tecido prostático.
“Quanto maior a próstata, maior a indicação de Rezum”
Mito.
A maior parte das evidências clássicas foi produzida em próstatas entre aproximadamente 30 e 80 cm³. Existem estudos em próstatas maiores, mas a seleção precisa ser individualizada.
“A melhora acontece imediatamente”
Mito.
Na realidade, existe um processo progressivo de remodelação do tecido após o tratamento.
“Pode ser necessário usar sonda”
Verdade.
De fato, alguns pacientes utilizam cateter urinário durante alguns dias após o procedimento.
“Rezum garante preservação da ejaculação”
Mito.
Os estudos demonstram baixo impacto sobre a função ejaculatória, mas nenhum procedimento deve ser apresentado com garantia individual de preservação.
“Rezum e HoLEP são a mesma coisa”
Mito.
São técnicas completamente diferentes. HoLEP realiza enucleação do tecido prostático, enquanto Rezum utiliza energia térmica por vapor para provocar redução progressiva de tecido tratado.
“Depois do Rezum nunca mais será necessário tratar a próstata”
Mito.
Existe possibilidade de retorno dos sintomas, reinício de medicamentos ou nova intervenção ao longo do tempo.
“Lobo mediano impede Rezum em todos os casos”
Mito.
Na verdade, a técnica pode tratar lobo mediano em pacientes selecionados, dependendo da anatomia.
“Ser minimamente invasivo significa não ter riscos”
Mito.
Mesmo assim, existem possíveis eventos adversos e necessidade de acompanhamento.
Quando agendar uma avaliação?
Se você recebeu o diagnóstico de próstata aumentada, apresenta sintomas urinários ou já utiliza medicamentos e quer compreender se o Rezum pode ser considerado, uma consulta urológica é o primeiro passo.
Também vale buscar uma avaliação se você está comparando Rezum, GreenLight, HoLEP ou outras formas de tratamento e quer entender as diferenças a partir da sua própria anatomia.
Realizo atendimento urológico presencial em Ribeirão Preto para avaliação da hiperplasia prostática benigna e planejamento individualizado do tratamento.
Agende uma consulta com o Dr. Rodolfo Favaretto para avaliar sua próstata, compreender a causa dos sintomas e discutir quais opções podem ser consideradas com segurança para o seu caso.
Dr. Rodolfo Favaretto
Urologista
CRM-SP 133.358 | RQE 58.409






















