Quando os sintomas da próstata aumentada começam a interferir no sono, no jato urinário ou na capacidade de esvaziar a bexiga, muitos homens chegam à consulta com uma dúvida bastante objetiva: qual tratamento é mais indicado para o meu caso?
Hoje existem diferentes possibilidades para tratar a hiperplasia prostática benigna, conhecida como HPB. Entre elas estão GreenLight, HoLEP e Rezum, três técnicas que podem fazer parte do tratamento da próstata aumentada, mas que funcionam de maneiras diferentes.
Na minha prática como urologista em Ribeirão Preto, não considero adequado escolher uma técnica apenas porque ela é nova, menos invasiva ou utiliza determinada tecnologia. A decisão depende do tamanho e da anatomia da próstata, da intensidade dos sintomas, do funcionamento da bexiga, dos tratamentos já realizados e também das prioridades do paciente.
Por que existem diferentes tratamentos para próstata aumentada?
A próstata fica localizada abaixo da bexiga e envolve a porção inicial da uretra.
Quando ela aumenta de volume, pode dificultar a passagem da urina e provocar sintomas como:
- jato urinário enfraquecido;
- demora para começar a urinar;
- necessidade de fazer força;
- interrupção do fluxo;
- sensação de que ainda ficou urina na bexiga;
- vontade frequente de urinar;
- urgência;
- necessidade de levantar várias vezes durante a noite.
Entretanto, não basta saber que a próstata está aumentada.
Dois homens podem ter próstatas com volumes semelhantes e sintomas completamente diferentes.
Além disso, anatomia, grau de obstrução e funcionamento da bexiga também influenciam a escolha do tratamento.
É justamente por isso que existem diferentes técnicas.
GreenLight, HoLEP e Rezum são a mesma coisa?
Não.
Embora os três possam ser utilizados no tratamento da hiperplasia prostática benigna, o mecanismo de cada um é diferente.
De forma simplificada:
GreenLight: utiliza laser para vaporizar o tecido prostático responsável pela obstrução.
HoLEP: utiliza laser para separar e remover o adenoma prostático que está comprimindo a uretra.
Rezum: utiliza energia térmica produzida por vapor de água para tratar determinadas áreas da próstata, que posteriormente passam por um processo gradual de redução.
Essa diferença no mecanismo também influencia recuperação, velocidade de melhora, possibilidade de preservação da ejaculação e perfil de paciente para cada técnica.
Como funciona o GreenLight?
O GreenLight utiliza energia laser para vaporizar progressivamente o tecido prostático que está estreitando o canal urinário.
O urologista realiza o procedimento pela uretra, sem necessidade de uma incisão externa.
Enquanto vaporiza o tecido, o laser também oferece capacidade de coagulação, característica que pode ser relevante em determinados pacientes.
O objetivo é criar um canal mais livre para a passagem da urina.
Entretanto, isso não significa que GreenLight seja automaticamente a melhor opção sempre que existe uma próstata aumentada.
O médico precisa avaliar volume, anatomia, sintomas, condições clínicas e objetivos individuais.
GreenLight pode ser considerado em quem tem maior risco de sangramento?
Essa característica pode participar da decisão.
Como o laser apresenta boa capacidade de coagulação durante a vaporização, GreenLight pode ser uma alternativa interessante em determinados pacientes que possuem maior preocupação relacionada ao sangramento.
Porém, o médico precisa analisar individualmente o uso de anticoagulantes e antiagregantes.
O paciente nunca deve suspender essas medicações por conta própria antes de um procedimento.
A decisão envolve o motivo pelo qual o medicamento é utilizado, o risco cardiovascular e o planejamento urológico.
Como funciona o HoLEP?
HoLEP significa enucleação da próstata com laser de hólmio.
Aqui, o raciocínio é diferente.
Em vez de vaporizar progressivamente o tecido, utilizamos o laser para separar o adenoma prostático da região mais externa da próstata. Depois, deslocamos esse tecido para a bexiga, onde ele passa por fragmentação antes da retirada. De forma simplificada, o HoLEP permite uma desobstrução bastante ampla da próstata.
Por isso, ela pode ganhar especial importância em pacientes com próstatas maiores ou obstrução significativa.
HoLEP serve apenas para próstatas grandes?
Não.
Apesar de ser muito conhecido pela aplicação em próstatas volumosas, o urologista pode utilizar o HoLEP em diferentes tamanhos prostáticos quando existe indicação.
A decisão depende de muito mais do que volume.
O médico também precisa considerar anatomia, sintomas, função da bexiga, retenção urinária, condições clínicas e experiência da equipe.
Por outro lado, quando existe uma próstata bastante aumentada e necessidade de remover grande quantidade do tecido obstrutivo, o HoLEP frequentemente entra entre as possibilidades discutidas.
Como funciona o Rezum?
O Rezum utiliza vapor de água para produzir uma ação térmica controlada dentro de determinadas áreas do tecido prostático.
Depois da aplicação, o organismo inicia um processo de remodelação.
Ao longo das semanas seguintes, o organismo reduz gradualmente parte do tecido tratado.
Com isso, pode ocorrer diminuição da obstrução sobre a uretra.
Por esse motivo, o resultado não costuma ser imediato.
O tratamento inicia um processo que continua acontecendo após o procedimento.
Rezum remove o tecido na hora?
Não da mesma maneira que GreenLight ou HoLEP.
Essa é uma diferença importante.
No GreenLight, o laser vaporiza o tecido durante o procedimento. Já no HoLEP, o cirurgião enuclea e retira o adenoma. Por outro lado, no Rezum, determinadas áreas da próstata recebem energia térmica e passam posteriormente por redução e remodelação.
Isso explica por que a melhora urinária com Rezum tende a acontecer de maneira mais progressiva.
Para quem o Rezum pode ser considerado?
Ele pode ser uma possibilidade para pacientes selecionados com hiperplasia prostática benigna e sintomas urinários relevantes.
A anatomia e o volume da próstata precisam ser avaliados.
Além disso, considero especialmente importante entender:
- quanto os sintomas incomodam;
- se existe retenção urinária;
- como está o fluxo;
- quanto de urina permanece na bexiga;
- se existe lobo mediano;
- quais medicamentos já foram utilizados;
- quais são as prioridades do paciente.
Em determinados homens, uma abordagem menos invasiva pode ter vantagens.
Em outros, a necessidade de uma desobstrução mais ampla pode favorecer outra técnica.
Qual é a principal diferença entre GreenLight, HoLEP e Rezum?
Podemos resumir assim:
GreenLight: vaporiza o tecido.
HoLEP: enuclea e remove o adenoma.
Rezum: trata o tecido com vapor para que ele reduza progressivamente.
Essa diferença ajuda a entender por que não existe uma única técnica indicada para todos.
Qual deles é o menos invasivo?
O Rezum costuma ser classificado como uma alternativa minimamente invasiva.
Entretanto, isso não deve ser interpretado como “procedimento sem recuperação” ou “procedimento sem riscos”.
Após o tratamento, podem ocorrer sintomas urinários temporários, como ardência, urgência e aumento da frequência.
Além disso, alguns pacientes precisam utilizar sonda por alguns dias.
Por outro lado, GreenLight e HoLEP promovem uma desobstrução mais imediata por atuarem diretamente na remoção ou vaporização do tecido.
Portanto, menor invasividade é apenas uma das características que entram na decisão.
Qual tratamento melhora mais rápido?
GreenLight e HoLEP retiram ou vaporizam tecido obstrutivo durante o próprio procedimento.
Por isso, a lógica da melhora urinária é diferente da do Rezum.
No Rezum, existe um processo gradual de redução do tecido tratado.
Ainda assim, a velocidade de recuperação e de percepção da melhora varia entre pacientes.
Não considero adequado prometer um determinado prazo.
Qual tratamento é mais indicado para próstata grande?
Em próstatas bastante volumosas, técnicas capazes de promover uma desobstrução ampla ganham maior importância.
O HoLEP é especialmente conhecido por essa característica.
GreenLight também pode ser considerado em diferentes volumes prostáticos, conforme anatomia e planejamento.
No Rezum, a seleção do paciente tende a ser mais específica, principalmente quando o volume prostático aumenta.
Por isso, conhecer apenas o número do ultrassom não basta.
Precisamos avaliar a anatomia completa.
Qual técnica preserva melhor a ejaculação?
Esse é um ponto que precisa ser discutido antes do tratamento.
As três técnicas apresentam perfis diferentes de impacto sobre a ejaculação.
O Rezum costuma ser considerado especialmente por homens que atribuem grande importância à preservação ejaculatória, porque seu mecanismo tende a interferir menos nas estruturas relacionadas à ejaculação em pacientes selecionados.
GreenLight também apresenta características específicas relacionadas à função sexual.
Já no HoLEP, alterações ejaculatórias são uma possibilidade relevante e precisam ser explicadas antes da cirurgia.
Entretanto, nenhum tratamento deve ser apresentado com promessa de preservação.
A resposta varia de paciente para paciente.
Qual tratamento tem maior durabilidade?
Todas essas técnicas podem oferecer controle prolongado dos sintomas em pacientes corretamente selecionados.
Entretanto, durabilidade não é igual para todos os tratamentos ou pacientes.
Quanto maior a quantidade de tecido obstrutivo efetivamente removida, menor pode ser a chance de nova obstrução causada pelo mesmo adenoma.
Por outro lado, abordagens menos invasivas podem trazer vantagens relacionadas à recuperação ou preservação de determinadas funções, mas eventualmente podem apresentar maior possibilidade de necessidade de outro tratamento no futuro.
Por isso, considero importante conversar sobre resultado imediato e estratégia de longo prazo.
Existe chance de precisar tratar novamente a próstata?
Sim.
Nenhum tratamento deveria ser apresentado como definitivo para todos os pacientes.
A próstata continua fazendo parte de um organismo que envelhece.
Sintomas podem retornar, o tecido pode continuar crescendo ou outras alterações urinárias podem surgir.
Dependendo da técnica e do paciente, pode haver necessidade futura de:
medicação;
novo procedimento;
ou outra cirurgia.
Essa possibilidade deve fazer parte do planejamento desde o início.
A bexiga influencia na escolha entre GreenLight, HoLEP e Rezum?
Muito.
Um erro seria imaginar que todo jato fraco ocorre apenas porque a próstata aumentou.
A bexiga precisa conseguir contrair adequadamente para expulsar a urina.
Alguns pacientes apresentam obstrução prostática e, ao mesmo tempo, perda da força de contração da bexiga.
Nesse cenário, retirar a obstrução pode ajudar, mas não existe garantia de que todos os sintomas desaparecerão.
Por isso, quando existe dúvida, podemos aprofundar a investigação da função vesical antes de definir o procedimento.
Quais exames podem ser necessários?
A investigação varia conforme o paciente.
Entre os exames e avaliações que podem entrar no planejamento estão:
- exame de urina;
- PSA quando indicado;
- ultrassonografia;
- volume prostático;
- avaliação anatômica da próstata;
- medida do resíduo pós-miccional;
- urofluxometria;
- avaliação endoscópica em determinados casos;
- estudo urodinâmico quando existe dúvida sobre a função da bexiga.
Não significa que todos os pacientes precisarão fazer todos esses exames.
A avaliação deve responder às dúvidas do caso.
GreenLight, HoLEP ou Rezum: qual é o melhor?
Não existe uma resposta universal.
Essa talvez seja a informação mais importante deste artigo.
Uma técnica pode ser excelente para um determinado paciente e inadequada para outro.
O Rezum pode fazer sentido quando buscamos uma abordagem menos invasiva e a anatomia é favorável.
O GreenLight pode ser considerado quando a vaporização a laser apresenta vantagens dentro daquele contexto clínico.
O HoLEP pode ser especialmente interessante quando existe necessidade de uma desobstrução extensa ou uma próstata bastante volumosa.
Mas essas são apenas linhas gerais.
A indicação real nasce da avaliação.
Mitos e verdades sobre GreenLight, HoLEP e Rezum
“Os três tratamentos fazem a mesma coisa”
Mito.
GreenLight vaporiza tecido, HoLEP realiza enucleação e Rezum promove redução progressiva por energia térmica.
“HoLEP só serve para próstata muito grande”
Mito.
Pode ser utilizado em diferentes volumes, embora seja especialmente relevante em próstatas volumosas.
“Rezum costuma ser menos invasivo”
Verdade.
Entretanto, isso não significa ausência de recuperação, sonda ou possíveis efeitos adversos.
“GreenLight possui boa capacidade de controle do sangramento”
Verdade.
A vaporização a laser também promove coagulação durante o procedimento.
“Rezum garante preservação da ejaculação”
Mito.
O perfil pode ser favorável em pacientes selecionados, mas nenhuma técnica deve oferecer garantia.
“HoLEP sempre causa incontinência”
Mito.
Alterações temporárias podem ocorrer, mas incontinência persistente não é uma consequência obrigatória do procedimento.
“Próstata grande significa obrigatoriamente HoLEP”
Mito.
Volume é importante, mas anatomia, sintomas, condições clínicas e prioridades também influenciam.
“O procedimento menos invasivo sempre é o mais indicado”
Mito.
Menor invasividade é apenas um dos critérios utilizados na escolha.
“Pode ser necessário tratar novamente a próstata no futuro”
Verdade.
Nenhuma técnica elimina completamente essa possibilidade.
Quando agendar uma avaliação?
Se você possui próstata aumentada, apresenta sintomas urinários ou está comparando GreenLight, HoLEP e Rezum, uma avaliação urológica pode ajudar a organizar essas informações.
Não é necessário chegar à consulta tendo escolhido o procedimento.
Realizo atendimento presencial em Ribeirão Preto para diagnóstico e tratamento da hiperplasia prostática benigna e planejamento individualizado das diferentes opções disponíveis.
Agende uma consulta com o Dr. Rodolfo Favaretto para avaliar sua próstata e entender quais tratamentos podem ser considerados de acordo com seu quadro.
Dr. Rodolfo Favaretto
Urologista
CRM-SP 133.358 | RQE 58.409






















